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Alma rimada

Criei este espaço completamente livre com o motivo de mostrar que é possível dar voz ao pensamento liberto na verdadeira expressão do espírito e da alma e as suas paixões! Um sonho inspirado em liberdade e amor.

Alma rimada

Criei este espaço completamente livre com o motivo de mostrar que é possível dar voz ao pensamento liberto na verdadeira expressão do espírito e da alma e as suas paixões! Um sonho inspirado em liberdade e amor.

23.09.21

Sempre que nos desperta - Whenever it wakes us up

O frio cálido do sol de Inverno - The warm cold of the Winter sun


lybelinha

Revelações - Revelations

Rima interpolada - Interpolated rhyme

Só os poetas sabem o quanto dissecaram a tragédia!

Impetuosos e corajosos enfrentam-na tornando-a real.

Não por a ultrapassarem, mas pela coragem final,

de sua aceitação como sua pátria de magnitude etérea...

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Only poets know how much they dissected tragedy!

Impetuous and courageous face it by making it real.

Not for overcoming it, but for the ultimate courage,

of its acceptance as its homeland of ethereal magnitude...

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    Rosamar  Freedom

"O livro da vida"

Absorto, o sábio antigo, estranho a tudo, lia...

- Lia o «Livro da Vida» - herança inesperada,

que ao nascer encontrou, quando os olhos abria

Ao primeiro clarão da primeira alvorada.

 

Perto dele caminha, em ruidoso tumulto,

Todo o humano tropel num clamor ululando,

Sem que de sobre o Livro erga o seu magro vulto.

Lentamente uma a uma, as suas folhas voltando.

 

Passa o Estio, a cantar;  acumulam-se Invernos;

E ele sempre, - inclinada a dorida cabeça, -

A ler e a meditar postulados eternos,

Sem um fanal que o seu espírito esclareça!

 

Cada página abrange um estádio da Vida,

Cujo eterno segredo e alcance transcendente 

ele tenta arrancar da folha percorrida,

Como de mina obscura e pedra refulgente.

 

Mas o tempo caminha; os anos vão correndo;

Passam as gerações; tudo é pó, tudo é vão...

E ele sem descansar, sempre o seu livro lendo!

E sempre a mesma névoa, a mesma escuridão.

 

Juventude, manhãs de Abril, bocas floridas,

Amor, vozes do lar, "estos" do sentimento,

- Tudo viu num relance em imagens perdidas,

Muito longe, e a carpir, como um nocturno vento.

 

Mas então lamentando o seu estéril zelo,

Quando viu a essa luz que um instante brilhou,

Como o Livro era bom, como era bom relê-lo,

Sobre ele, para sempre, os seus olhos cerrou...

"Poema retirado do livro de o poeta português parnasiano António Feijó com o título: Sol de Inverno, seguido de vinte poesias inéditas"