A grande ilusão
Poderia então estranhar
Todos os escritos em letras,
por questão de análise talvez...
Que sempre só estive, a sonhar!
Mas não, mais alguém esteve de quando em vez.
Entre linhas e palavras em português,
o deserto percorrido sem um destino,
em implicito caro chamamento
de um longo momento
a percorrer o que de mim entendia num desatino!
Enquanto entretinha os meus medos...
Em transitórios devaneios ilimitados
Dei por meu coração só a dizer em modos calados.
Que estava cansado da solidão inspirativa da luz do dia cedo!
Por mais que o mistério da vida me inquietasse...
As entrelinhas das ilusões percorriam a geito
um modo, uma maneira, que clamava do meu peito,
como se num jogo de simetria, reclamasse o meu "eu" perfeito.
Extinguidas as certezas, apenas liberdade
e muitas estradas, caminhos, casualidade,
que me desvendavam os pensamentos,
que nomearam em alguém um espaço vazio de verdade!
Para um entendimento dos poetas,
não há uma chave para decifrar.
Apenas uma busca incessante e incerta,
que procura na simbologia em alerta,
uma porta de ligação entre ser e sentir devagar.
Por não me apoiar em definições impossíveis .
Volto de quando em vez a um paradoxo
Sempre por descobrir nesta divagação ordenada,
numa longa ventura da alma a tentar muros intransponíveis
que se erguem e desfazem em todas as madrugadas!
Poetizar não seria só e tanto que é!
Mas seria tão pouco perder o rumo.
Era muito mais que uma voz perdida.
Seria também uma aprendizagem do ser e do mundo
Seria uma partida e um regresso a todos os mistérios da vida.
Musas, já foram caras a todos os poetas!
Mas quem inspiraria as poetisas?
Os arquétipos e os valores humanos, os amores chegariam?
Numa"lacuna gramatical" ou histórica, ou egoistas estéticas...
A igual fonte de inspiração nomiei "Demiurgo" para poetisas imprecisas!
Rosamar Freedom