Escrever ( arte da aproximação e identificação humana? )
Um passo importante na hipotética história da ciência literária, o pós-estruturalismo
Por experiência própria de leitura encontrei nas ideias que certos autores veiculavam na sua escrita consonância com o que eu pensava, ou o contrário, mas com fundamentos que me faziam pensar de modo diferente, ou no sentido de me dar acesso a uma maior profundidade e conhecimento. Assim estabeleci uma conexão valorativa que me fazia pensar que a literatura era um lugar acolhedor para o espírito. Porque acompanhava o meu desejo de evoluir, de mudar e continuar a crescer! Não me colocava numa sala vazia, sem sonhos, nem expectativas, cheia de certezas e sem caminho para percorrer.
O ser humano vai-se materializando com o tempo e como ele se predispõe à mudança e ao movimento constante, no sentido lato, que não tem de ser feito em cada extremo da linha da sua trajectória. Há um caminho entre esses dois lados que não se conhece a que se pode chamar acaso em que o meu ego( considerado um entrave para a experiência ) não se manifesta e desse modo fico com a capacidade de me envolver em novas experiências com coisas que estão fora do "eu" . Para implicar a literatura seriamente com a história humana e o seu avanço e a diferença que operou no estrururalismo em que se favorecia o logos ou seja a centralidade da palavra, em que as ideias que expõe são sempre dadas como verdadeiras. Isolando as leis da mente, como os paralelismos, oposições , inversões, que por sua vez agiam a um nivel de generalidade que não se encontravam nunca perto das diferenças concretas da história humana. Desse modo fechavam as possibilidades de aproximação que seria o momento em que o logos sai de si e se abre ao contingente.
Roland Barthes a par com outros autores iniciou a desenvolver criações do movimento" nouvelle critique francaise " a que se dá o nome de
pós-estruturalismo em que critica o pensamento ocidental por ter sempre privilegiado o logocentrismo que desvaloriza a escrita enquanto desvio da esfera inteligível para o sensível. Retirar grilhões impeditivos à criatividade e à imaginação e dar uma nova responsabilidade ao leitor de ter a liberdade de redescobrir o texto e dar-lhe a sua própria interpretação, para se inserir no carácter aberto da obra literária e seu mundo polissémico seria um dos caminhos apontados por este autor.
Adoração a um Apolo ( deus grego da luz,do sol, das artes ), que me faça evoluir e crescer em profundidade.