Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

A transfiguração da tristeza

A tristeza apareceu transfigurada,

em sombras entrecortadas

em feixes de luz tão , tão baça!

Deixando-me a esperança amargurada.

 

Calada, entranha-se apressada.

Embaraça-me o dia e a noite.

E desencanta-me a leda madrugada!

Enquanto enganosa me dá o mote.

 

Eu não  a quero como titular,

do meu princípio determinante

a enjeitar-me a alegria predominante

Com a máscara que a tudo é para enganar!

 

Tristeza salpicada de lágrimas frias

Que desatam os sentidos tão estranhos...

a diferentes calafrios tristes vazios.

Que me percorrem em desencontros tamanhos.

 

Quem dera fora endeusada na felicidade...

De acordar para as tardes felizes...

Com a alma ancorada numa rara liberdade,

em que os silêncios sem tristeza tinham o fruto e as raízes!

 


 Rosamar  Freedom

publicado por lybelinha às 20:04

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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

A verdade sentimental e a vontade de pensar

    Quando me falaram de um poeta filósofo, transportei-me para pensamentos poéticos que tinham deixado de estar estritamente ligados à origem que é a sua verdade e por isso permanece estática e inerte. Mas quando se fala de filosofia, parte-se sempre do princípio da incerteza porque se baseia na sua discussão e dinamização, que induz assim a ideia de movimento e devir. Um poeta que tem a arte de ministrar os sentimentos acende um foco da sua luz para o pensamento.

   Será um recomeço , um desejo de se mostrar ao mundo sem que isso provoque um constrangimento, essa fragilidade que se tenta a todo o custo esconder porque nos faz falhar e pensar que perdemos a máscara da racionalidade. Concordo inteiramente com esse poeta filósofo que diz, que o sentimento é a substância original de todas as criações intelectuais e o seu ambiente genésico. 

    A existência de uma poesia ecléctica e dada ao eclectismo, ou seja, com vários focos de interesse e preferencialmente orientada para a razão. 

    Porque pensar também é decifrar a verdade, pensar não é uma verdade exequível, que pode ser executada ou cumprida.

publicado por lybelinha às 16:59

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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Artifício poético ou fingimento

 

    Eu posso exprimir um sentimento de tristeza de uma forma simples, com poucas palavras, apenas com uma frase declarativa. Quem a ler saberá imediatamente o que sinto. Direi simplesmente, estou triste. Mas se é bem percebida, não é igualmente entendida de uma forma expressiva, devido a isso ninguém lhe prestará a atenção devida, nem se comoverá a ponto de sentir vontade de me retirar dessa tristeza! É por isso que continuo com a devida convicção que enfatizar os sentimentos, expressá-los de uma forma rica e expressiva é algo que os poetas fazem de uma maneira maravilhosa e aberta. 

    Sei que sou poetisa, pois tenho a perfeita consciência que se não pudesse utilizar a subjectividade na linguagem, a pobreza na forma de me exprimir iria tornar o meu mundo insípido e desolador. Quando me apaixonei pelas palavras, acreditei que iriam ser para mim muito mais que veia e coração, mas também consolo, refúgio e até perdição! Pois através das palavras poderia viajar pelos dois extremos, a exuberância e o trágico, sem que sofresse as suas consequências.Porque viver nos extremos, é como se gastar e desgastar em cada acto consumado. O difícil e quase um ideal, é o meio termo ou o ponto mais equilibrado, pois é o que não corrompe, nem encurta a vida. Viver ao máximo no papel, sem que isso altere nada dentro de nós, apenas como uma compensação para a grande falta de sentido da vida!  

      O poeta está a mentir quando exprime o seu sentimento de tristeza? Não apenas utiliza a subjectividade, o artifício, o floreio, ou a criatividade ou apenas a imaginação que gera a criação artística! Já se fala agora de um outro quotidiano que rompeu radicalmente com o quotidiano comum que por sua vez utiliza os mecanismos da percepção da linguagem. É a desautomatização, a libertação das palavras do automatismo que caracteriza o uso de uma língua por um grupo de falantes.                    

publicado por lybelinha às 16:12

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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Heráld ou demiourgo

Líder do futuro, esse emergente pensamento

Homem máquina, sem futuro permanente.

Após o cabo das tormentas, que confunde o sonho!

De navegadores , empreendemos no dia tristonho.

 

Rédeas e separação dos ideais que tardaram!

Embrenhados, revoltos e mais confusos,

porque a terra que fugiu deu palavras aos mudos

Estáticos e imersos na conquista de vários mundos.

 

Gostava de sorrir para dentro de mim.

e queria que visses a minha felicidade...

Transparecendo em cada olhar de sinceridade.

O meu mundo interior que não tem um fim...

 

No meu escudo, sem mágoa, inscrevo agora,

um e um e, sentimentos e emoções.

Em esta e em quaisquer transposições,

sinto-me inteiramente aqui, agora, uma sonhadora!      

publicado por lybelinha às 17:39

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Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

As lacunas do sofrimento

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrever não é sentir o sofrer

é apenas lutar por o esquecer.

Encostá-lo à parede do tempo

destruí-lo, arrasá-lo ao relento.                          

  

Ser livre, é vencê-lo então!

Dar-lhe um qualquer destino...

E jamais sentir o coração na prisão,

a matar o pensamento e o tino.

 

No resvalar do seu fel

Que faz arder a pele,

Dou por ele a fazer doer

por não ser dizível dou-lhe ser.

 

Esse ser sofrimento,

percorre todo o meu sentimento...

Não pede guarida, é evasivo,

e esmaga-me o querer do pensamento sem aviso

 

Não é possível falar da dor!

Sem dela ter o seu perfeito conhecimento.

Não é possível falar da dor,

sem se dar urgente ao seu esquecimento

 

A incompatibilidade é o desespero,

de não pensar nunca a dor.

Rios e rios de sofrimento desperto...

Numa estranha emoção que não sente a dor!

 

Por mais que tente e tente 

Não existem palavras para o sofrer,

Apenas mentiras e imaginação para o preencher

nada o traduz, tudo finge e mente!

 

Simular a dor é arrancá-la da emoção.

Se ela existir, a palavra é não surgir.

Adormece a mente e cala o coração a fingir,

numa loucura desmedida feita prisão!

 

Quis idealizar essa fuga,

Da prisão do sofrimento 

Percorri chão com ela tão muda.

Essa dor que insistia sempre perto.

 

Só depois que inventei letras

e umas mil e tal palavras,

é que senti que a venci

entre lacunas de solidão e vazio a esqueci!

 

Falar da dor assim,

É só tentar torná-la inexistente.

Para poder semear o amor em mim...

E guardar a ilusão que posso falar dela como quem a sente.   

 

 


Rosamar  Freedom

 


" A dor - nada de mais estranho ao pensamento. Sofre-se e isso impede de pensar. Pensa-se a dor e já não é  dor( ... ). Entre a emoção e o pensamento há uma espécie de incompatibilidade. Entre a dor e o pensamento, a incompatibilidade é extrema " ,    Autor ;  Eduardo Prado Coelho      

publicado por lybelinha às 19:23

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