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Poética da alma

Criei este espaço completamente livre com o motivo de mostrar que é possível dar voz ao pensamento liberto na verdadeira expressão do espírito e da alma e as suas paixões! Um sonho inspirado em liberdade e amor.

Poética da alma

Criei este espaço completamente livre com o motivo de mostrar que é possível dar voz ao pensamento liberto na verdadeira expressão do espírito e da alma e as suas paixões! Um sonho inspirado em liberdade e amor.

A transfiguração da tristeza

A tristeza apareceu transfigurada,

em sombras entrecortadas

em feixes de luz tão , tão baça!

Deixando-me a esperança amargurada.

 

Calada, entranha-se apressada.

Embaraça-me o dia e a noite.

E desencanta-me a leda madrugada!

Enquanto enganosa me dá o mote.

 

Eu não  a quero como titular,

do meu princípio determinante

a enjeitar-me a alegria predominante

Com a máscara que a tudo é para enganar!

 

Tristeza salpicada de lágrimas frias

Que desatam os sentidos tão estranhos...

a diferentes calafrios tristes vazios.

Que me percorrem em desencontros tamanhos.

 

Quem dera fora endeusada na felicidade...

De acordar para as tardes felizes...

Com a alma ancorada numa rara liberdade,

em que os silêncios sem tristeza tinham o fruto e as raízes!

 


 Rosamar  Freedom

A verdade sentimental e a vontade de pensar

    Quando me falaram de um poeta filósofo, transportei-me para pensamentos poéticos que tinham deixado de estar estritamente ligados à origem que é a sua verdade e por isso permanece estática e inerte. Mas quando se fala de filosofia, parte-se sempre do princípio da incerteza porque se baseia na sua discussão e dinamização, que induz assim a ideia de movimento e devir. Um poeta que tem a arte de ministrar os sentimentos acende um foco da sua luz para o pensamento.

   Será um recomeço , um desejo de se mostrar ao mundo sem que isso provoque um constrangimento, essa fragilidade que se tenta a todo o custo esconder porque nos faz falhar e pensar que perdemos a máscara da racionalidade. Concordo inteiramente com esse poeta filósofo que diz, que o sentimento é a substância original de todas as criações intelectuais e o seu ambiente genésico. 

    A existência de uma poesia ecléctica e dada ao eclectismo, ou seja, com vários focos de interesse e preferencialmente orientada para a razão. 

    Porque pensar também é decifrar a verdade, pensar não é uma verdade exequível, que pode ser executada ou cumprida.

Artifício poético ou fingimento

 

    Eu posso exprimir um sentimento de tristeza de uma forma simples, com poucas palavras, apenas com uma frase declarativa. Quem a ler saberá imediatamente o que sinto. Direi simplesmente, estou triste. Mas se é bem percebida, não é igualmente entendida de uma forma expressiva, devido a isso ninguém lhe prestará a atenção devida, nem se comoverá a ponto de sentir vontade de me retirar dessa tristeza! É por isso que continuo com a devida convicção que enfatizar os sentimentos, expressá-los de uma forma rica e expressiva é algo que os poetas fazem de uma maneira maravilhosa e aberta. 

    Sei que sou poetisa, pois tenho a perfeita consciência que se não pudesse utilizar a subjectividade na linguagem, a pobreza na forma de me exprimir iria tornar o meu mundo insípido e desolador. Quando me apaixonei pelas palavras, acreditei que iriam ser para mim muito mais que veia e coração, mas também consolo, refúgio e até perdição! Pois através das palavras poderia viajar pelos dois extremos, a exuberância e o trágico, sem que sofresse as suas consequências.Porque viver nos extremos, é como se gastar e desgastar em cada acto consumado. O difícil e quase um ideal, é o meio termo ou o ponto mais equilibrado, pois é o que não corrompe, nem encurta a vida. Viver ao máximo no papel, sem que isso altere nada dentro de nós, apenas como uma compensação para a grande falta de sentido da vida!  

      O poeta está a mentir quando exprime o seu sentimento de tristeza? Não apenas utiliza a subjectividade, o artifício, o floreio, ou a criatividade ou apenas a imaginação que gera a criação artística! Já se fala agora de um outro quotidiano que rompeu radicalmente com o quotidiano comum que por sua vez utiliza os mecanismos da percepção da linguagem. É a desautomatização, a libertação das palavras do automatismo que caracteriza o uso de uma língua por um grupo de falantes.                    

Heráld ou demiourgo

Líder do futuro, esse emergente pensamento

Homem máquina, sem futuro permanente.

Após o cabo das tormentas, que confunde o sonho!

De navegadores , empreendemos no dia tristonho.

 

Rédeas e separação dos ideais que tardaram!

Embrenhados, revoltos e mais confusos,

porque a terra que fugiu deu palavras aos mudos

Estáticos e imersos na conquista de vários mundos.

 

Gostava de sorrir para dentro de mim.

e queria que visses a minha felicidade...

Transparecendo em cada olhar de sinceridade.

O meu mundo interior que não tem um fim...

 

No meu escudo, sem mágoa, inscrevo agora,

um e um e, sentimentos e emoções.

Em esta e em quaisquer transposições,

sinto-me inteiramente aqui, agora, uma sonhadora!      

As lacunas do sofrimento

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrever não é sentir o sofrer

é apenas lutar por o esquecer.

Encostá-lo à parede do tempo

destruí-lo, arrasá-lo ao relento.                          

  

Ser livre, é vencê-lo então!

Dar-lhe um qualquer destino...

E jamais sentir o coração na prisão,

a matar o pensamento e o tino.

 

No resvalar do seu fel

Que faz arder a pele,

Dou por ele a fazer doer

por não ser dizível dou-lhe ser.

 

Esse ser sofrimento,

percorre todo o meu sentimento...

Não pede guarida, é evasivo,

e esmaga-me o querer do pensamento sem aviso

 

Não é possível falar da dor!

Sem dela ter o seu perfeito conhecimento.

Não é possível falar da dor,

sem se dar urgente ao seu esquecimento

 

A incompatibilidade é o desespero,

de não pensar nunca a dor.

Rios e rios de sofrimento desperto...

Numa estranha emoção que não sente a dor!

 

Por mais que tente e tente 

Não existem palavras para o sofrer,

Apenas mentiras e imaginação para o preencher

nada o traduz, tudo finge e mente!

 

Simular a dor é arrancá-la da emoção.

Se ela existir, a palavra é não surgir.

Adormece a mente e cala o coração a fingir,

numa loucura desmedida feita prisão!

 

Quis idealizar essa fuga,

Da prisão do sofrimento 

Percorri chão com ela tão muda.

Essa dor que insistia sempre perto.

 

Só depois que inventei letras

e umas mil e tal palavras,

é que senti que a venci

entre lacunas de solidão e vazio a esqueci!

 

Falar da dor assim,

É só tentar torná-la inexistente.

Para poder semear o amor em mim...

E guardar a ilusão que posso falar dela como quem a sente.   

 

 


Rosamar  Freedom

 


" A dor - nada de mais estranho ao pensamento. Sofre-se e isso impede de pensar. Pensa-se a dor e já não é  dor( ... ). Entre a emoção e o pensamento há uma espécie de incompatibilidade. Entre a dor e o pensamento, a incompatibilidade é extrema " ,    Autor ;  Eduardo Prado Coelho