Sábado, 20 de Março de 2010

Reflexão sobre a escrita como projecção da felicidade

    Um escrevente é alguém que é portador de um pensamento essencialmente livre, à margem das instituições e transacções.Enquanto o escritor teoricamente funciona dentro dos limites da instituição literária. Segundo os ensaístas estudiosos no presente pode-se mais falar de uma mitigação dos dois, ou seja, as fronteiras entre ambos tornaram-se muito ténues, pois os dois têm um pouco de cada.

   Um escritor que ao escrever um livro preocupa-se mais em "como o escrever" e não tanto com o "para quê" o escrever. No meu caso particular iniciei-me a escrever porque tinha coisas a dizer, por assim dizer que esse era o meu principal fito. Queria transmitir ideias e pensamentos, porque encontrei na escrita uma das melhores formas de expressão.

    Ao percorrer caminho apercebi-me que o que queria transmitir não se designava claro e fácil de dar a perceber no papel. Ao tentar ilustrar o processo recorro a uma comparação, quando um escritor escreve um romance tem de compor personagens e muitos dizem que a verdadeira magia das personagens que constroem dá-se quando estas escapam ao seu controle e ganham para além do corpo, uma vida própria.Com tudo o que poderá advir desse facto. As ideias que tento expor têm o mesmo comportamento, a certa altura ganham uma personalidade própria e tornam-se independentes. Após isso acontecer mostram aquilo de que guardam segredo e revelam-se de maneira surpreendente.  Penso que imitam mais a vida, pois a vida tem de ter uma parcela de espontaneidade, se não seremos sempre actores de uma peça de teatro que já se sabe de antemão qual vai ser o decorrer e o último acto. 

    Torna-se assim a escrita mais próxima do humano e da máxima criatividade, que se poderá colher e por sua vez recriar.

    A escrita como se fosse uma projecção da felicidade para dar lugar ao maior número de tentativas para ser feliz.

    Em sequência do que disse no parágrafo anterior, direi que tudo culmina com a aproximação às pessoas.

    Enquanto já vivi algum tempo, até hoje ainda não conheci ninguém com tanta força e tanto poder para os maiores e melhores empreendimentos do que os seres humanos.        

publicado por lybelinha às 14:01

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Quinta-feira, 18 de Março de 2010

Reflexão

 

    Eu pus-me mesmo a pensar que existiam tantas e imensas coisas, acontecimentos, pessoas, locais, sistemas que me desagradavam tanto e me mantinham em estado de perfeita desinspiração. Nos desígnios da vida instituída por mim existiam muitos oásis que se revelavam com a minha idiossincrasia que me obrigava quase a descobrir tudo o que me rodeava e que me era agradável em contrapartida com tudo aquilo que me repugnava, que me fazia sentir mal.Mas eis que o mar de infinitas coisas desagradáveis me levou a conhecer ou reconhecer um outro mar, mas de coisas que me faziam sentir bem e nas quais gostava de viver. 

    Nunca mais houve limites e fim, porque ía descobrindo muitas coisas que me interessavam, tantas haveriam ainda por descobrir! 

    Mas ao iniciar a composição de toda essa construção de alicerces que fazem parte da ideia que eu tenho de como posso ser feliz, sem ter de ingressar num deserto imaginário que me faz conceber um pseudo-eclipse daquilo a que eu dei o nome da forma mais infantil possível, o nome de "mal".

    Tudo partiu desta ideia, a imaginação também se vê, aconteceu aquela magia que eu sempre julguei "quase impossível" ( Porque não concebo certezas adquiridas ) transformar o invisível em algo visível e real!   

    Apesar de parecer de que isto é muito fácil de adquirir, não é de modo algum, é uma compreensão interiorizada que para mim é a aprendizagem na sua concepção perfeita, porque inteiramente assimilada. Para mim foi quando verdadeiramente tudo começou a fazer mesmo sentido.      

publicado por lybelinha às 23:27

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Sábado, 13 de Março de 2010

Instante frugal - o despertar do verso -

 

 

 

Esse corrupio imenso de palavras

que me surgem com tanto apego.

Quietas, ousadas em pleno desassossego

são reais, são esperanças calculadas.

 

Sem paradeiro certo ou identidade

explicam-se em certo encadeamento.

Contém vida, respiro e liberdade.

Conduzem candura, revolta e sentimento!

 

São silêncio, inspiração e medo.

Entendem-se em sua articulação.

Fluem na força de certa entoação...

Escrevem-se e inscrevem-se de modo e relevo.

 

Não pedem guarida em seu surgimento

se movem no mistério do universo...

Na espontânea inocência que gera conhecimento!

Nascem e desenvolvem-se em construção e progresso!

 

Elementos oníricos no enquadramento certo.

Originais em único caminho e percurso.

Se insurgem em espaço frugal e aberto...

Constroem um corpo, um intento, um curso.

 

São faces de captação na imensa brevidade.

Numa clivagem de origem selvagem,

em seu segredo denomino-as pura divindade.

São reflexos em espelho numa imagem de coragem!

 

Um instante que brilha e não ofusca.

Numa ligação de puro entendimento.

Igualada à natureza e seu empreendimento.

De perfeito encadeamento que se depura!

 


 Rosamar  Freedom          


 

 

 

 

    

 

publicado por lybelinha às 15:51

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Terça-feira, 9 de Março de 2010

Paisagem poética - Montes alaranjados carmins

 

Ao desfrutar o meu olhar

acrescento ao encanto da paisagem

o anteacontecimento a pairar

que pinta o céu em real imagem!

                                                         

Porque decidiu agora o sol assim

ao esconder-se para adormecer,

dar-me o sinal ao desaparecer;

acima dos montes numa coloração alaranjada carmim.

                                                          

E num ápice , do vértice das serras:

Eis que se dá o esperado acontecimento,

a noite em seu escuro e envolvimento

da nitidez das sombras à função das quimeras...

                                                         

Nos extremos dos dias, dizem

sonham os poetas e prosadores...

Conjugando a vida e os amores

em manhãs cetinosas ou em noites assombrosas! 

                                        Rosamar  Freedom                    

publicado por lybelinha às 19:48

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Quinta-feira, 4 de Março de 2010

Paisagem Poética ( Montes Inclinados )

ð¶¢♦ 

Oscilações quase desenhadas

Do cimo maior dos montes

Que recortam as nuvens acinzentadas

Mais fileiras de árvores com altivos portes

 

O meu olhar origina encadeamento

De telhados que convergem em desfile

Em permanente quietude feita cimento

Com intervalos pitorescos de janelas de perfil

 

Paisagem em silêncio continuado

Na espera que ilumina e escurece

Pintalgada do branco e amarelo das luzes, se anoitece

Real e estranha se em nevoeiro cerrado

 

Em sua comunicante de plano inclinado

Intui proximidade real ao céu do universo

Que clama de mistério no declive endeusado

Com mais de mil casas que mantém o humano regresso.

 

 

 Rosamar  Freedom

 

publicado por lybelinha às 18:03

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O eu poético

Para além de toda a terra

Existe o mar também

Que esconde muito mais além

Que o castanho, negro escuro da serra

 

Venero-te ò terra, pois me atrais

Mas é pelo mar de ondulações

Que me mergulho em dádiva de emoções

Quando todo o eixo  terrestre eclipsa sinais

 

Num isolamento rimado

Mergulho por o sal e sol das marés

Nesse encontro cheio de linhas de ondulado

Provo o saber de tudo o que belo perfez

 

Se conseguisse ao menos uma vez

Expressar o mistério da inspiração

Que me faz sonhar de quando em vez

Poderia então dar ensejo a uma outra construção!

 

Rosamar  Freedom   §   

publicado por lybelinha às 16:31

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Terça-feira, 2 de Março de 2010

Uma obra aberta ou o livro do Amor

Desarmada do meu sentimento,

preso pelo meu acaso

que me prende num momento.

Intimidada no prefácio.

 


Escreveria o livro do amor,

por o saber de cor.

Nada mais eu hei-de saber,

se esta lágrima eu reter.

 


A letra é esta transformação,

retirada e reiterada do coração.

A que chamo em louvor, o amor.

Que edifica, constrói em melhor e em maior.


Nessa tenacidade tão cálida.

Não há nada igual que esse afectuoso

e admirável sentimento poderoso

o amor, essa preciosidade de brilho lapidada.


Verso de poema na inteligível 

qualidade que se aprofunda

no termo da alteridade invisível.

tão dependente de tudo e de nada!


Nesta reminiscência de ser melhor.

Nesta modular forma que é conteúdo

despojo-me do que é mera dor

em disseminações que ao amor alude.


Mas que sinal será esse então?

Se a chuva cair quando o sol brilhar.

Neste verso inverso no limpído chão!

Que me traz no Inverno , numa noite de luar.


Poema e prosa, é nessa junção,

que jaz minha esperança e possibilidade.

Tudo o resto é dsarmante divisão,

que vai desaguando na nascente da minha liberdade.


Só ele me inclui em sinal de pertença.

E culmina com tudo o que é a vida!

O amor que marca encontro e me convida

a construir seu empreendimento sem licença


Divindade do Amor, lugar mitológico.

Nesta tão cara obra aberta, 

que se contempla no infinito ilógico/lógico.

Contém a criatividade de tudo o que me desperta.


Se me serve de interprete leigo

na pós ingenuidade de sua explicação,

o amor, filiação do ego perfeito.

Como ferramenta que me faz desenhar a perfeição.


Sob peculiar e estimada razão.

Numa temporalidade para sempre.

No crepúsculo de fim de Verão.

Na felicidade do dia que ascende!

 

 

                                                                                          

Rosamar  Freedom                   

 

 

publicado por lybelinha às 18:51

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