Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Descrição de lugares ( Uma rua do centro )

    Após a dinâmica do pensamento escrito, busco um lugar que me rodei, o qual eu possa descrever de forma verdadeira através da palavra. Não sei se a tingirei de vida especial, já que a vida que ela possui não tem cor se a vir de uma maneira metódica e aborrecida. 

    Será uma descrição com alma que imagino estar lá, é que tudo o que me rodeia visto de uma perspectiva poética tem constante devir e possui uma alma, um ser. 

     A rua do centro com passeio, ora largo, ora estreito, carece de vida própria porque se encontra fechada à lembrança e dada ao esquecimento. Jaz sua alma perdida e esquecida pelas pedras da calçada branco sujo, da cor do desgaste e poeira do tempo. Não tem o brilho que se identifica com o sentimento que se esvaiu com o tempo e o cansaço de tanto ser chão pisado e nunca renovado ou fruto de atenção.

     As casas construídas junto ao passeio de forma irregular, compondo construções muito desiguais e de todos os tipos de arquitectura, ocupam um espaço quase efémero porque não se insinuam ou ganham lugar na confusa paisagem urbana, estão lá por acaso ou por razão desconhecida, pois poderiam permanecer num outro lugar qualquer. Nada os caracteriza, são quase um acaso, ou talvez uma imposição improvisada à pressa, sem necessitarem de ter qualquer ligação ao lugar que ocupam.

     Os telhados, uns com telhas inclinadas, outros com telhas planas, de noite deixam entrever as várias fases da lua, as estrelas mais brilhantes, o céu límpido e celestial ou o céu escuro e carregado com nuvens. 

     As formas geométricas dos prédios, das casas e das portas, variam entre as linhas desenhadas de várias medidas, sem um critério entre umas e outras, misturam-se como se quisessem dar existência a todos os sólidos ou figuras. Rectângulos, círculos, paralelepípedos, triângulos, cones, esferas, quadrados, losangos, hexágonos, cubos... Os candeeiros de luz fraca não iluminam,  apenas deixam ver a falta de luz no escuro da rua que sobrevive à custa de teimosia e persistência. É histórica e antiga mas ninguém sabe a sua história, o interesse de quem lá passa é só olhá-la por fora sem se perguntarem qual a sua voz e se o seu coração ainda bate. Despersonalizada por quem a usa contém ainda uma mística quase indelével e inesquecível, como se as suas calçadas tivessem já germinado segredos importantes nunca revelados.

     Rua viva durante a semana com o comércio que negoceia ainda à custa da tradição, que se vai perdendo ou já se perdeu, e morta, como em sono profundo nos fins de semana de Domingos fastidiosos e tristonhos, dados à monotonia não esquecida que restou da semana que passou. 

     E de novo tudo se volta a repetir como um ciclo incessante.         

publicado por lybelinha às 16:15

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A musa desaparecida

 

Não sei como me encontrei

Nesta transposição estranha

De todos os desejos que sonhei

Como um cenário que o poeta desenha

 

Era a liberdade plena de entendimento

O céu estrelado em noite de luar

Que divinizou o meu ser de entendimento

Um ente superior só para me admirar

 

Uma musa resplandecente inspiradora

Deixei a terra num encanto celestial

De todos os sinais na natureza reveladora

Transformando o meu mundo e o real

 

Gostavam do que em mim mostrava

E guiavam-se pela luz dos meus desejos

Transformei o meu mundo em poema que encantava

Num reflexo da multiplicação de mil espelhos

 

Era divina pela essência poética 

Translúcida de poder e temor

Rimei a cor, a perfeição e a métrica

Num estado de maior envolvimento e amor

 

Estou na existência da alma

Que guia no  bem que não se consome

Que se evidencia pela a ausência que salva

Numa morada superior sem origem ou nome

 

 Rosamar  

               Freedom                                                                                                                                                                                                                        

publicado por lybelinha às 15:49

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Domingo, 16 de Novembro de 2008

A verdadeira utilização das palavras ( Escrever ) - Criatividade ou, e Imaginação

    A minha experiência de escrita não é uma experiência modelar e muito cuidada porque parto de um princípio criativo e imaginativo. Se perco tempo em imaginação deixo um pouco para trás a preocupação que deveria ter com aquilo que escrevo. Por mais que pense que poderei ter as duas coisas seguras, imaginação e propósito de escrita, há sempre um pouco de um lado que me escapa. É-me impossível ter os requisitos de perfeição de propósito de escrita e máxima criatividade. Mas essa é a verdade da minha escrita, a sua imperfeição porque pretendo que seja, e por que o é, uma escrita autêntica e demasiado humana.

     O que eu escolho quando escrevo é tentar explicar o que quero dizer, o que desejo comunicar com as palavras que vou escolhendo e organizando em frases, que se transformam em períodos, parágrafos e finalmente em texto. 

      A utilização que quero dar às palavras tem origem no seu sentido mais puro e por isso mais lato ( abrangente e sonhador ). Porque criatividade tem todos os signos linguísticos à sua disposição em que adquire a máxima liberdade na própria imaginação, onde não podem existir delimitações que tenham um propósito constrangedor da forma mais pura e livre de expressão de escrita. Tem que existir sempre um espaço em branco, em que não saberei ainda o que se quer imprimir e tornar visível de uma forma o mais possível perfeita e compreensível. Não é uma escrita definitiva, há sempre mais alguma coisa por dizer, há sempre mais um fio condutor para um novo caminho, uma nova improvisação de um novo pensamento.

      É uma escrita de constante mutação , como se se questionasse a si própria, se se desafiasse até á máxima  exaustão, não tem limites de imaginação nem de criatividade. 

Inventa-se a ela própria em constante sedução e enamoramento pelas palavras , dando-lhes uma ênfase de brilhantismo e magia de uma profundidade, que se quer dizível e percebível.             

publicado por lybelinha às 16:35

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.Poesia " A Perfeição "

 

 

 

 

O lugar perfeito é esse dentro

Que guardaste em ti

Em secreta imaginação

Que guardei no meu coração

E desfolhei sem te pedir

Em que folha à folha desvendo

 

Insinuei-me em doce coragem

Nesta construção sem fim

Em visitação de muitos lugares

Em tudo o que digas por calares

Era todo o amor em mim

Que me guiava de miragem em miragem

 

Decalquei o meu e teu invisível

Com cedilhas aspas e lírica

Atravessei todas as fronteiras

Vi crescer todas as sementeiras

Reflecti a natureza em estranha mímica

Num abismo paradisíaco e sensível

 

Atmosferas imbuídas de pureza

Naquele espaço de novo mundo

Encontro tão desejado em unicidade

O meu e teu elo de ligação em sinceridade

Sem explicação, na intuição do profundo

Em que tudo se edifica no ser e sua leveza

 

A poesia do ser em forma descrita

Em que creio e me enleio

Num tempo sonhado e possível

Terno em palavras em modo infalível

Um toque de loucura e devaneio

Em que se existe no que se acredita

 

Se me e nos libertasses sem medo

Tudo seriam alentos e princípios

Perseguindo o amor e seus desejos

Seria possível o que sentes em versos

Os últimos momentos seriam primeiros

Essa hora tardia se tornaria cedo

 

És poesia em alma tão casta e pura

Como movimento que retarda e se repete

Tornas possível o enquadramento do sonho

Escrito e rescrito com tudo o que ambiciono

Num natural encadeamento que me prende

Sou parte integrante do cosmos perfeito do eu que te procura

 

♦  Rosamar   Freedom                                                                                       

  

 

 

 

publicado por lybelinha às 05:42

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